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terça-feira, 12 de outubro de 2010

BERNES

Os bernes são larvas de moscas que se desenvolvem no tecido subcutâneo de animais. É comum o seu aparecimento em pessoas que vivem ou frequentam o campo. A infestação da pele por bernes também é considerada uma miíase (proliferação de larvas de mosca em tecido vivo), mas ela é diferente da lesão de pele denominada "bicheira".
Nessa última, várias larvas de mosca se desenvolvem e se alimentam de tecido vivo, caminhando pelas regiões circunvizinhas, causando grandes "crateras" sob a pele. No caso do berne, apenas uma larva se desenvolve no local e a lesão não é invasiva, ou seja, a larva permanece todo o tempo no lugar por onde penetrou
.A mosca causadora do berne, também chamada de "mosca berneira" (Dermatobia hominis), usa um artifício muito interessante para a perpetuação da sua espécie. Esse inseto vive por apenas 24 horas. Na época da postura, que ocorre nas estações mais quentes do ano (presença de temperatura e umidade ideais), a mosca berneira "captura" um outro inseto, normalmente uma outra espécie de mosca, e nele deposita seus ovos na região do abdômen.

Quando o inseto veiculador pousa sobre o animal, as larvas imediatamente se projetam para fora do ovo, caminham por entre os pelos até atingirem a pele. Ali criam uma pequena perfuração por onde penetram. É nesse local que a larva irá se desenvolver.

Em cerca de 1 semana, a larva já aumentou 8 vezes de tamanho, podendo permanecer por 40 dias ou mais na pele do hospedeiro, crescendo continuamente.ntinua aberto durante todo o tempo, pois é através dele que a larva respira. Por esse detalhe torna-se fácil reconhecer uma lesão causada por berne: um nódulo subcutâneo com um orifício bem visível na superfície da pele.

As larvas possuem o corpo recoberto por pequenos espinhos. Sua movimentação dentro do orifício causa dor e incômodo. Alguns animais apresentam diversos bernes espalhados por todo o corpo, não sendo poupadas as orelhas, a cauda, a região entre os dedos, prepúcio, etc.. As larvas devem ser extraídas para livrar o animal da dor, caso contrário, o cão tentará mordiscar a pele a todo momento tentando retirá-las.

Caso o berne venha a morrer antes de completar seu ciclo, o orifício de respiração se fecha. O nódulo sob a pele pode ou não ser absorvido pelo organismo.

A morte da larva também costuma ocorrer quando pessoas sem experiência tentam "espremer" o berne para forçá-lo a sair. Existe a maneira correta de fazer isso e é melhor pedir auxílio ao veterinário. Dependendo da região onde o berne está, o cão precisará receber uma pequena dose de sedativo para suportar o procedimento de retirada da larva.

Para evitar os bernes, é preciso manter as moscas afastadas. Remova as fezes do cão várias vezes ao dia, lave diariamente o local onde ele urina e mantenha o lixo da casa sempre bem fechado.

Algumas gotas de essência de citronela espalhadas pela pelagem do cão podem evitar que insetos pousem.

Existem medicamentos por via oral que, ao mesmo tempo em que controlam a infestação de pulgas, impedem o desenvolvimento de larvas de moscas sob a pele. Informe-se com o seu veterinário.

É preciso salientar que, embora os bernes ocorram com mais frequência no verão, eles podem aparecer em qualquer outra época do ano. Basta que haja condições favoráveis (ocorrência de dias quentes no inverno, por exemplo). Daí os cuidados no combate às moscas devam ser contínuos.

Alterações na cor da pele e pelagem dos animais

A cor natural da pele, tanto do homem quanto dos animais, depende da quantidade e localização da melanina e de outros pigmentos presentes tanto na pele quanto no pêlo, nas penas das aves, nas escamas dos peixes, etc.


Quando um animal apresenta um escurecimento da pele, chamamos isto de HIPERPIGMENTAÇÃO OU MELANODERMIA, e quando ocorre o inverso, ou seja, diminuição ou perda da cor natural, denominamos HIPOPIGMENTAÇÃO OU LEUCODERMIA. O mesmo vale para mudanças na cor do pêlo: leucotriquia (pêlo que se tornou mais claro) e melanotriquia (pêlo que se tornou mais escuro).


Existem muitas causas que levam a estas alterações, e vamos abordar apenas algumas delas. No caso das hiperpigmentações podemos citar:


 LENTIGO: manchas negras no abdomen (região das mamas), de origem hereditária.


 ACANTOSE NIGRICANTE: comum em cães da raça Teckel (antigo Dachshund ou salsichinha); pode ser de origem genética ou decorrente de alergias e micoses. Aparece como manchas negras acompanhadas de uma maior espessura e aspereza da pele na região axilar e inguinal (virilha).


 MANCHAS PÓS-INFLAMATÓRIAS: decorrentes de lesões cutâneas de origem inflamatória (cicatrizes, infecções bacterianas da pele, sarna negra, micoses, etc). Muitas delas regridem quando tratamos a causa de base.


 ALTERAÇÕES HORMONAIS: problemas decorrentes do mau funcionamento das tireóides, das gônadas (testículos e ovários) e das glândulas adrenais promovem manchas na pele e mudança na cor dos pêlos.



SO DE MEDICAMENTOS: drogas como mitotane e menociclina podem promover escurecimento da pele e do pelame.

 TUMORES CUTÂNEOS: melanomas, carcinoma baso-celulares, fibromas e outros tumores podem aparecer como manchas em relevo de coloração castanho escura ou nódulos (massas sólidas com mais de 1 cm de diâmetro) enegrecidos.

Já em relação à perda ou diminuição da pigmenação, podemos citar outras causas:

 ALBINISMO: hereditáio e genético, caracteriza-se pela brancura total dos pêlos e da pele, sendo que a íris dos olhos é azulada. Gatos brancos só são considerados albinos se não possuem nenhuma parte do corpo com pigmento, nem mesmo as almofadinhas das patas (coxins).

 VITILIGO: mais freqüente nas raças Pastor alemão, Rotweiller, Doberman e Schanuzer gigante, bem como em gatos siameses. É de origem genética e hereditária, acarretando perda da coloração do pêlo e/ou da pele que normalmente se inicia pela cabeça, envolvendo inclusive os coxins e as unhas.

 DEPIGMENTAÇÃO NASAL ( "DUDLEY NOSE, SNOW NOSE"): de causa desconhecida, aparece como uma perda gradual da cor negra ou castanho-escura do nariz, que adquire uma cor desbotada. Pode haver uma melhora espontânea, ou ciclos de melhora (nos meses mais quentes) e piora (nos meses mais frios do ano). É comum dentre os cães Labradores, Golden Retriever, Husky siberiano, Bernese Mountain dog, Pastores alemães e Poodles. É importante se fazer a diferenciação com dermatite de contato pelo uso de comedouros plásticos, bem como com outras doenças, como as auto-imunes, citadas a seguir.

 DOENÇAS AUTO-IMUNES: embora pouco freqüentes, algumas delas podem levar à morte se não diagnsoticadas a tempo. As que causam perda da pigmentação na região do focinho e da cabeça são o Pênfigo eritematoso, o Lupus eritematoso discóide, o Pênfigo foliáceo, e a Síndrome úveo-dematológica, muito comum nos cães Akitas. O tratamento envolve o uso de drogas imunosupressoras, como corticóides, bem como de anti-inflamatórios e protetores solares.




Como diagnosticar alergias em cães e gatos?

A alergia em Medicina Veterinária, assim como em Medicina Humana, é de diagnóstico bastante complexo e vem acometendo um número crescente de cães e gatos no mundo todo. Creio que toda especialidade clínica atende casos difíceis, cuja condução torna-se um processo desgastante tanto para o proprietário quanto para o veterinário, afetando em última instância o próprio animal. Em dermatologia veterinária este “calcanhar de Aquiles “ , por assim dizer, constituem as Dermatites alérgicas.Atualmente elas correspondem a cerca de 70% dos casos dermatológicos atendidos na rotina clínica-dermatológica e, muitas vezes, o diagnóstico é trabalhoso e o prognóstico é sombrio. Digo isto porque não existe mágica, ou seja, não é possível diagnosticar alergia de forma confiável através de um exame laboratorial, como fazemos com tantas outras doenças dermatológicas, tais como as dermatites parasitárias (sarnas), as dermatites fúngicas (micoses), as neoplasias, as doenças autoimunes e tantas outras.


O diagnóstico confiável baseia-se na exclusão de demais dermatopatias pruriginosas (doenças que causam coceira) e, uma vez confirmado tratar-se de alergia, excluímos as diversas causas alérgicas. Isto, na maioria das vezes, gera frustração tanto ao cliente quanto ao veterinário especialista. O primeiro porque já consultou inúmeros profissionais antes de chegar a um especialista e quer uma resposta simples e imediata que resolva o problema do seu animal. Por outro lado, nós, clínicos, também nos frustramos ao perceber o semblante desanimador do proprietário, pois terá que passar por várias etapas antes de descobrirmos o tipo de alergia que acomete seu animal e, muitas vezes, terá que lidar com algo incurável por toda a vida.


A primeira etapa consiste na eliminação de ectoparasitas, pulgas, carrapatos e piolhos. Uma vez isto feito, eliminamos alimentos possivelmente envolvidos na alergia, e isto exige muita paciência e dedicação por parte dos proprietários, pois terão que oferecer alimentos caseiros ao animal por um período muito longo, que varia entre 60 e 90 dias, e remover todos os alimentos industrializados da sua dieta. Esta dieta, chamada de eliminação, é uma etapa fundamental para se excluir alergia alimentar, e não pode ser negligenciada. Os ingredientes são escolhidos pelo veterinário com base naquilo que o animal nunca tenha ingerido anteriormente. A adesão a este protocolo é fundamental para concluirmos que alergia o animal tem de fato.


Uma vez feito isto e não havendo melhora clínica, concluímos por fim tratar-se de uma dermatite atópica, também chamada a alergia a inalantes ambientais, que é incurável e exigirá um tratamento permanente do animal.


O que ocorre, na maioria das vezes, é que muitos proprietários saem frustrados da consulta com o especialista em dermatologia, dizendo: “Mais um que não sabe o que meu animal tem...”. Isto, mesmo depois de ouvir uma explicação minuciosa, detalhada de todo o processo, e das etapas que virão a seguir. A sensação que fica é de falta de diagnóstico correto. Este sentimento tem levado muitos proprietários a procurarem receitas milagrosas, vacinas mágicas cujo nome e conteúdo não são revelados pelos colegas, muitas delas manipuladas, que prometem cura completa. Desconhecem que estes produtos, infelizmente contém, na maioria das vezes, corticosteroides, verdadeiros venenos quando utilizados de forma indiscriminada. Outros, por sua vez, são realmente fórmulas místicas e empíricas, sem nenhum fundamento científico.


Tenho atendido muitos pacientes ludibriados por estes procedimentos, e animais que desenvolvem insuficiência renal prematura ou mesmo cardiopatias em idade precoce, efeitos colaterais do uso excessivo de corticoides.


Para nós, dermatólogos, seria muito mais fácil conduzir tais casos de forma rápida e eficiente, diagnosticando genericamente como “dermatite “ e fazendo o uso amplo de corticosteroides injetáveis, porém, aqueles que trabalham de forma consciente sabem que este não é o melhor para o animal.


Fica aqui o alerta para os proprietários de animais supostamente alérgicos: a investigação detalhada se faz necessária para uma condução adequada do paciente. Contudo, uma vez concluído o diagnóstico de dermatite atópica, o uso de medicamentos será por toda a vida.

sábado, 9 de outubro de 2010

Coprofagia

Seu cão come as próprias fezes?


Alguns proprietários ficam horrorizados ao descobrirem que seus animais comem as próprias fezes ou a de outros animais. Realmente, para nós humanos esse não é lá um hábito muito bom de se apreciar, mas no reino animal não há qualquer preconceito. Fezes, para os cães, representam apenas alimento processado e se elas tiverem odor interessante e atrativo, não há por que rejeitar.Claro que não é todo cão que come fezes, a maioria deles nunca apresentará esse tipo de comportamento, mas é importante entender o por quê de muitos animais agirem assim.
As fezes de outras espécies podem parecer extremamente apetitosas para os cães. Um exemplo disso são os cães saudáveis que adoram ingerir as fezes de gatos. É fácil entender a causa. Os felinos têm uma necessidade de proteína muito maior do que os cães. Por isso, as rações para gatos possuem altos teores proteicos. As fezes dos gatos, portanto, exalam odor de proteína que é altamente atrativa para os cachorros. Cocô de gato, pode ser uma 'iguaria' para muitos cães... E pode fazer mal para eles? Normalmente não, porém os cães podem adquirir vermes se o gato estiver infestado ou com toxoplasmose.
Da mesma forma, quando o cão não consegue digerir bem aquilo que come ou sua dieta possui teores muito altos de proteína, além do necessário ou de sua capacidade de digestão, as fezes apresentarão odor proteico. E isso será um grande estímulo para o cão comê-las. É necessário distinguir se faltam enzimas digestivas ou se a dieta está exagerada em proteínas. Uma forma de descobrir a causa é mudar a ração do animal para outra com menores teores proteicos. Claro que essa mudança só poderá ser prescrita pelo veterinário que atende o cão. Outra alternativa é adicionar enzimas que ajudem na digestão, presentes, por exemplo, no mamão.
Em animais mais jovens, a coprofagia pode estar ligada a problemas comportamentais. Um exemplo disso são os cães duramente repreendidos quando fazem suas necessidades fora do lugar. Para não apanhar, eles ingerem as fezes para esconder a prova do crime. Isso não quer dizer que você não deva repreender seu cãozinho quando ele fizer cocô no lugar errado, mas não exagere na bronca. Há filhotes que comem fezes por simples imitação, quando convivem com outros cãezinhos que têm esse hábito.
Quando a causa da coprofagia é comportamental, existem produtos que podem ser administrados ao animal que fazem com que as fezes se tornem repugnantes para ele. Há aqueles que adicionam pimenta ou outros condimentos às fezes do cão, para que ele seja desestimulado a comê-las. Esse último recurso tem pouca valia, a meu ver.
Antes de tentar instituir qualquer terapia, consulte o veterinário para tentar, junto com ele, determinar a causa exata e instituir o tratamento mais adequado.

Anemia



Anemia é a diminuição do volume de sangue do organismo. Ela também pode ocorrer em animais e não é propriamente uma doença, mas a consequência de alguma enfermidade ou condição que cause diminuição na produção, destruição ou perda sanguínea.
O sangue é formado no interior dos ossos (medula) e para isso, além de necessitar de uma fonte de ferro na alimentação e algumas vitaminas, a medula precisa de um estímulo para produzir sangue.
Esse estímulo é dado por uma substância produzida pelos rins (eritropoetina).
Por esse motivo, uma alimentação deficiente, estados de desnutrição, assim como o mal funcionamento dos rins (insuficiência renal), podem levar o cão ou gato ao estado de anemia. Certos medicamentos, como aqueles utilizados na quimioterapia (tratamento de câncer), deprimem a medula, que passa a desacelerar a produção de sangue.
Outro motivo bastante comum para o animal apresentar anemia são as perdas de sangue. Isso pode ocorrer em acidentes graves, quando háhemorragia externa ou interna. Porém, a perda sanguínea em pequenas quantidades, mas por tempo prolongado (crônica), pode levar o organismo ao quadro anêmico. É o caso dos parasitas internos (vermessugadores) ou externos (pulgas, carrapatos e piolhos). Nesses casos, o animal precisa apresentar uma grande infestação, por tempo prolongado. Os mais afetados são os filhotes e os mais idosos. Por isso, é importante controlar vermes, pulgas e carrapatos nos animais.
Perdas sanguíneas causadas por tumores, principalmente aqueles localizados no intestino, também podem levar o animal à anemia.
Existem algumas doenças que causam a destruição das células do sangue, como a babesiose, no cão e a hemobartonelose, no gato. Há venenos que podem ter esse efeito efeito sobre o organismo ou causar hemorragia, essa última quase sempre fatal (veneno para ratos - "chumbinho").
A destruição de células sanguíneas em grande quantidade causa pigmentação amarelada às mucosas do animal. Isso é consequência da decomposição em larga escala da hemoglobina, o "pigmento" das células sanguíneas, que passar a "tingir" pele e mucosas.
Além dessas causas bastante comuns, existem doenças que podem ter como um dos sinais clínicos, a diminuição do volume de sangue no organismo.
O animal anêmico apresenta falta de apetite, mucosas pálidas ('bochecha" e interior das pálpebras), indisposição e cansaço excessivo ao se exercitar. A confirmação da anemia é feita através do exame de sangue (hemograma) que irá, inclusive, dar condições de diagnosticar a causa da anemia, isto é, se ela está acontecendo por perda sanguínea, falta de produção ou destruição do sangue.
A anemia pode ser tratada com medicamentos que estimulam a produção de sangue pela medula, alimentação adequada ou, em casos muito graves, transfusão sanguínea.






Acne

Cães e gatos também podem ter acnecomo os humanos. E esse é um problema que aparece com frequência em algumas raças de pelagem curta como dobermans, bulldogues e outros. A acne pode aparecer na "puberdade" do cão, ou seja, entre 3 a 12 meses de idade. As alterações hormonaisnessa fase são a principal razão do aparecimento das lesões.Os gatos podem desenvolver a acne em qualquer período de suas vidas. A acne nos cães não se restringe apenas a animais jovens, embora seja mais frequente nessa faixa. Ela pode aparecer em animais adultos também. Nesse caso, a causa exata é desconhecida.
As regiões afetadas são o mento ("queixo"), a pele em redor dos lábios e, mais raramente, o focinho. Podem aparecer um ou vários nódulos inflamados e pústulas (bolinhas amareladas, cheias de pus). Ao serem apertadas, as lesões expelem pus e sangram. Alguns nódulos podem apresentar um material preto, com aparência de um pelo duro, que chamamos de comedo. Quando a acne se manifesta de uma forma grave, os lábios e o queixo do animal se apresentam inchados e bastante doloridos.
A acne na forma leve e com poucas lesões desaparece naturalmente com a idade, bastando limpeza diária do local com antissépticos e, se preciso, drenagem das pústulas. A acne grave, com múltiplas lesões e inchaço local, precisa de antibióticos por via oral, antissépticos e pomadas antibióticas. A limpeza diária da região em volta da boca e queixo dos gatos, diminui o aparecimento de acne em animais propensos.
A acne nos animais pode ser confundida com outras doenças de pele. É importante que você não tente diagnosticar sozinho e procure a ajuda do veterinário.